Política Quarta, 17 de Março de 2010

Planalto intervém e Sarney deve se manter no comando do Senado

03/07/2009 - 00h16min

Um dia depois de o governo entrar em campo para preservar José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, integrantes da oposição e da base aliada afirmaram nesta quinta-feira, 2, que diminuiu consideravelmente a possibilidade de o senador renunciar ao cargo.

DEM, PSDB e PDT continuam a pedir que Sarney se afaste do cargo até a conclusão das investigações sobre fraudes na administração da Casa, enquanto o PT recuou de um pedido de afastamento após ser enquadrado pelo Planalto.          

Líderes do PT chegaram a sugerir na quarta-feira, em reunião reservada com Sarney, que ele se licenciasse por 30 dias, mas voltaram atrás a fim de preservar a aliança com o PMDB --partido essencial para garantir a governabilidade do Executivo no Senado e uma base de apoio para a futura candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República.

“Ele nunca foi homem de renúncia. O perfil dele é de acumular poder. Ele tem apetite por poder. Essa é a alma do oligarca”, afirmou a jornalistas o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que também foi envolvido em denúncias sobre as irregularidades na Casa.  “A situação do Sarney melhorou muito. Está bem mais tranquila”, disse um senador petista que pediu para não ser identificado.

Na véspera, diante da resistência dos petistas em sinalizar um apoio explícito ao senador, aliados de Sarney espalharam a informação que o presidente do Senado não se afastaria, mas poderia deixar o cargo definitivamente se fosse abandonado, por meio de uma renúncia.

Na avaliação de aliados, embora ainda vulnerável a possíveis novas denúncias, Sarney está agora em uma posição relativamente mais confortável. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), voltou a dizer nesta quinta que a bancada não pretende gerar um racha na base de sustentação do governo no Congresso.

Mercadante, que ocupou a tribuna por mais de três horas,argumentou que Sarney não pode ser apontado como único culpado pela crise, e passou a atacar a oposição. Segundo ele, o DEM também tem responsabilidade pelas denúncias porque tem ocupado nos últimos anos a primeira-secretaria da Casa, cargo responsável pela gestão da instituição. “Minha combatividade está a serviço do presidente Lula”, disse Mercadante.

Esse discurso foi adotado pelo PT depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante viagem ao exterior que a oposição queria tomar o controle do Senado ao forçar a saída de Sarney, já que o primeiro vice-presidente é o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). “Eles estão tentando desviar o foco”, rebateu o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). Durante o dia, Sarney esteve no Senado e, sem presidir a sessão, recebeu outras demonstrações de apoio. Pela manhã, recebeu visita do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O senador também conversou com o presidente Lula por telefone.

Lula, que retornou da Líbia na noite de quarta-feira, se reunirá com a bancada de senadores do PT nesta noite para tratar da crise do Senado, e deve se encontrar com Sarney na sexta-feira. Apesar do cenário mais favorável a Sarney, sua permanência no cargo pode acirrar o clima de disputa entre governo e oposição. “A crise vai se prolongar”, ameaça Virgílio.

O calendário, no entanto, trabalha a favor de Sarney. O recesso dos parlamentares tem início em duas semanas.

Fonte: A Tarde


Palavras-chave: sarney , senado , renuncia


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