Nacional Sexta, 18 de Abril de 2014

Pesquisa revela que jovens querem ter atitudes virtuosas como honestidade , verdade, coragem e honra


14/09/2009 - 18h17min

Parte da segunda edição do projeto Pensar Jovem, criado pela divisão de tecnologia Educacional da Positivo Informática e pelo Centro Paula Souza, a pesquisa mostrou, entre outras coisas, que os quase 5.000 jovens e adolescentes de 30 Etecs do Estado de São Paulo não são egoístas e identificam e valorizam boas ações.

Os jovens valorizam e desejam possuir virtudes como honestidade, verdade, coragem e honra, mas têm vergonha de fazê-lo. Essa é uma das impressões do educador e filósofo Carlos Roberto Merlin Júnior ao avaliar os resultados de uma pesquisa realizada com quase 5 mil alunos do Ensino Médio do Centro Paula Souza, que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo. A pesquisa integra a segunda edição do projeto Pensar Jovem, realizado pelo Centro Paula Souza e pela Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, e foi aplicada por meio do Portal Aprende Brasil, presente em 30 Etecs.

"Não se pode negar a influência do egocentrismo presente na sociedade moderna sobre as ações dos jovens e adolescentes, mas essa não é a única realidade. Existe o desejo expresso de muitos jovens pesquisados em dar às suas ações um sentido moral para além do prazer próprio e imediato. Eles identificam, nas ações práticas, os vícios e as virtudes e desejam possuir as virtudes. Mas, muitas vezes, vivem o dilema entre viver e agir de modo virtuoso e viver e agir de modo vantajoso," analisa o prof. Merlin, formado em Filosofia pela PUC-PR, leciona História e Filosofia e está preparando mestrado na área de Filosofia da Educação e um dos idealizadores do projeto Pensar Jovem.

Fundamentada em questões hipotéticas de Ética Aplicada e com perguntas objetivas, baseadas em situações concretas, a pesquisa teve como objetivo identificar a presença ou ausência das virtudes como algo valorizado pelos jovens e adolescentes.

Durante a pesquisa, quando foi perguntado aos alunos de maneira generalizada sobre honestidade e verdade, 71,9% deles disseram que possuíam estas virtudes. Mas ao serem colocados em situações práticas, este percentual caiu para 59,5% dos entrevistados. O roubo de um CD de música em uma loja, por exemplo, é crime, mas o ato de fazer download destas mesmas músicas pela internet não é considerado ilegal por pelo menos 60% dos participantes da pesquisa.

"Podemos interpretar os dados verificando que os pesquisados reconhecem as virtudes presentes em ações práticas. Eles identificam e valorizam tais "ações fundamentadas nas virtudes. Ao mesmo tempo podemos notar que eles não desejam ser vistos como ''otários'', o que significa sofrer algum tipo de prejuízo quando é possível de se evitar", explica o professor.

Quando os assuntos tratados foram coragem e honra, 79,7% dos participantes afirmaram valorizar ações que expressam esses valores. Mas ao serem colocados como autores de ações hipotéticas, esta porcentagem cai para 63% de aprovação. Um exemplo que ilustra este resultado é a decisão que tomariam se estivessem no lugar do guerreiro troiano Heitor, que para honrar a cidade de Tróia enfrentou Aquiles, mesmo sabendo que era impossível vencer. Ao se colocarem no lugar do lutador, apenas 64% aceitariam o desafio.

Os pais, as escolas e, principalmente, a mídia precisam estar mais atentos a este fato. Se existe desejo e, ao mesmo tempo, a vergonha de se ter este desejo é porque aquilo que se está desejando não é valorizado pela sociedade em geral. "Ser virtuoso está fora de moda e, provavelmente, por isso, parte significativa de nossos jovens e adolescentes não vivenciam aquilo que, segundo os resultados da pesquisa, valorizam e até desejam", finaliza o professor.

"As discussões entre o filósofo e os alunos, dentro do Projeto Pensar Jovem, são momentos para repensar atitudes e assim amadurecer", observa Rosana Mariano, professora responsável por projetos da Unidade de Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza.

Com estes resultados, o projeto Pensar Jovem prossegue para a segunda fase, que consiste em discussões em sala de aula sobre os temas propostos. Além dos debates, os alunos poderão ampliar o assunto no Blog do Filósofo, mediado pelo prof. Merlin. O interesse dos alunos em discutir as virtudes fica evidente no blog, que já registra quase 3.000 mil comentários. "O Projeto Pensar Jovem cria espaços para discutir questões importantes na formação dos alunos do Ensino Médio", acrescenta Rosana.

Na terceira fase do projeto, os estudantes vão criar e apresentar fábulas modernas, que deverão evidenciar a importância de uma ou mais virtudes éticas. Os textos serão publicados em um livro, a ser lançado no final deste ano. Em 2008, foram escritas 96 fábulas, publicadas no site do projeto Pensar Jovem. Uma experiência que desafiou a criatividade dos participantes e levou a novas reflexões. "Desde a primeira edição, em 2008, percebemos que o Pensar Jovem estimula e fortalece atitudes virtuosas. Todo o pensar filosófico ajuda nessa mudança. Sinto aqui muita solidariedade e companheirismo", confirma Rosemari Melazi de Oliveira, coordenadora do Projeto Pensar Jovem da ETEC Philadelpho Gouvea Neto, em São José do Rio Preto - SP.

O Centro Paula Souza e a filosofia
O Centro Paula Souza administra 166 Escolas Técnicas (Etecs) e 47 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais, em 134 cidades paulistas. Mais de 170 mil alunos estão matriculados nas suas unidades de ensino no 1º semestre de 2009. As Etecs atendem 142 mil estudantes, aproximadamente, sendo mais de 39 mil no Ensino Médio. No Ensino Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de Serviços, em 85 habilitações, o número de alunos matriculados ultrapassa 100 mil. As Fatecs, por sua vez, contam com cerca de 32 mil alunos nos 45 cursos superiores de Graduação.

Fora do currículo desde 1971, quando foi abolido por imposição do regime militar, o ensino de filosofia e sociologia voltou a ser obrigatório em todas as séries do Ensino Médio por uma lei federal sancionada há um ano. A inclusão das duas disciplinas, feita de forma gradual até 2011, é uma vitória dos movimentos de professores e estudantes que defendiam sua importância para a melhoria da formação intelectual dos alunos.

O projeto Pensar Jovem se insere neste contexto e comprova o esforço da divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática em criar soluções que contribuam para a melhoria do ensino e para o desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos, dando condições para que exerçam plenamente sua cidadania. Para o Centro Paula Souza, a iniciativa é mais um passo no sentido de aplicar novas tecnologias ao ensino e promover a inclusão digital. O Centro Paula Souza usa o Portal Aprende Brasil desde 2005. 


Palavras-chave: Pesquisa , jovens , projeto pensar jovem


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