Local Sexta, 03 de Setembro de 2010

Por que a pobreza degrada, Prof. Dalton Macambira?

01/07/2007 - 14h00min

A infeliz declaração do Secretário de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Dalton Macambira, mostra um traço muito comum nos que ascenderam ao poder e ocupam cargos sem o menor respeito e a sensibilidade por quem os conduziu.

Se formos observar detalhes da fala do ilustre secretário, de fato a pobreza degrada o meio ambiente. Quando estive na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, como diretor de Fiscalização e Controle, recebi três cidadãos que foram flagrados derrubando árvores pra produzir carvão. Depois de uma longa retórica sobre crimes ambientais, um deles retrucou: "Entendi Doutor. Mas agora o senhor me explica como vou fazer pra sustentar minha família". Cocei a cabeça e fiz a mea culpa: "os senhores procuram outra coisa pra fazer...". Na verdade saí convencido que o binômio pobreza e meio ambiente é muito mais complexo do que se pode imaginar.

Considerando, entretanto, a dimensão da degradação ambiental, imposta pelos signatários da pobreza, verificamos a falta de visão (pra não usarmos adjetivos mais contundentes) do nobre secretário de Meio Ambiente.

Esquece o ilustre assessor do Governador e competente professor universitário do curso de História, que até bem pouco tempo atrás, explodiu na mídia um projeto chamado de Energia Verde, da responsabilidade de uma empresa chamada JB Carbon, que prometia queimar em 3000 fornos uma área imensa da região da Serra Vermelha. Sob o escudo de um manejo florestal sustentável, o secretário e políticos saíram em defesa dos "pobres" da JB Carbon.

"Não há pecado algum em fazer manejo florestal!" Cortar árvores para transformar em carvão não é degradação ambiental. "Epa! Mas as árvores não são arrancadas, são só podadas e podem rebrotar". Para nem falarmos nas emissões de CO2, resultante da queima, pergunto: será que se existir sobre uma árvore um ninho de pássaro, esta árvore será poupada da lâmina das motosserras? Duvido muito.

O projeto dos "pobrezinhos" da JB Carbon degrada o meio ambiente em escala grande e pequena. Pode até ser legal, o manejo florestal, mas da forma como estava funcionando, seria pouco dizer que é imoral.

O mundo se debate hoje com a questão do aquecimento global. Os principais contribuintes são os países ricos, agora superados pela maior potência em expansão, que é a China. Com muita falta de vergonha, estes países tentam cercear o crescimento de nações como o Brasil, ainda detentor de grande diversidade biológica, impondo-lhe restrições relativas ao crescimento. Mas isso não deveria funcionar como pano de fundo para permitir um crescimento que distancie do desenvolvimento sustentável.

A pobreza, Prof. Dalton, de fato degrada. Mas a degradação imposta pelos pobres nem se aproxima em grandeza, duração e magnitude, da degradação imposta pelos grandes projetos que se instalam no Piauí em crescimento, como o da JB Carbon, por exemplo. E por que a pobreza degrada? Porque a riqueza é muito mal distribuída. Ao invés do discurso, Secretário, é preciso e necessário que se trabalhe muito para reduzir as desigualdades.

Mas o processo de crescimento não deve ser feito à base da irresponsabilidade. O caprichoso projeto de transposição do rio São Francisco é um dos maiores crimes ambientais em andamento. Mas interesses outros, escudados na pobreza, colocaram-no na pauta das obras de salvação dos pobres. Seca nunca mais! Só quando o rio São Francisco não tiver mais água.

Cuidado com as palavras, Secretário! É bom pensar antes do próximo discurso.

Autor: Francisco Soares Santos Filho

Fonte: Francisco Soares Santos Filho


Palavras-chave: tribuna livre


Comentários (1)

02/07/2007 - 01h07min

"A pobreza degrada o meio ambiente"

Estive na palestra realizada dia 29/06 sobre "a utilização dos recursos hídricos e o regime jurídico das águas", proferida pelo ilustre piauiense Marcos Airton de Sousa Freitas, da Agência Nacional de Águas (ANA).
Dentre os debatedores estavam o Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Dalton Macambira.
Fiquei enojado com as palavras do professor (?) Dalton! Conheço-o pessoalmente, pois fui estagiário na SEMAR. E sei quem realmente ele é! Como político, prometeu e não cumpriu! Mas mesmo assim, ainda me surpreendeu quando ele falou que a pobreza era a responsável pelos danos ambientais!
Não entendi o porquê deste discurso do secretário, que se mostrou aético e sem controle emocional, inclusive querendo desmoralizar um determinado jornalista presente ao evento!
Faço parte de uma ONG que combateu os desmandos da Secretária do Meio Ambiente, durante o famoso caso da Serra Vermelha! O secretário Dalton Macambira era quase um garoto-propaganda da empresa JB Carbon, que estava destruindo uma floresta tão importante para o país, pois nela estão juntos três biomas: Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica!
Então pergunto: Quem degrada o meio ambiente, sr. Dalton? É a JB Carbon ou a pobreza? O senhor esqueceu que a pobreza é o carro-chefe do seu governo?

Mas graças a Deus a batalha foi vencida, pois em breve será criado o Parque Nacional da Serra Vermelha, a contra-gosto do senhor Dalton!

Hugo Prado Sobrinho, Teresina-PI

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