Nacional Quarta, 16 de Abril de 2014

Degradação do Rio Poti continua em sua grande extensão


14/07/2007 - 19h01min

Reportagem de Marcus Peixoto para o Diário do Nordeste revela que a degradação do Rio Poti beira uma tragédia ambiental, apesar dos esforços empreendidos para a sua despoluição.

"De longe se pode ver a agressão sofrida pelo Rio Poti, que corta o município de Crateús, a 356 quilômetros de Fortaleza. Uma grande quantidade de resíduos sólidos se misturam com uma espuma escura. Um odor forte é sentido em boa parte de sua extensão, principalmente nas margens próximas ao perímetro urbano da cidade e no entorno da Brasil Ecodiesel, empresa de referência na produção do diesel à base de vegetais que já está ressentida com os efeitos dos danos ambientais, a ponto de também ser responsabilizada pelo processo de degradação.

O que acontece com o rio, que nasce em Quiterianópolis e desagua no Rio Parnaíba, no Piauí, é um problema antigo. Mas agora passou a ser ainda mais preocupante, tanto pelos prejuízos econômicos causados a Brasil Ecodiesel, que suspendeu parte de suas atividades industriais, quanto pela falta de uma saída que garanta a sobrevivência do manancial.

Ontem, o Diário do Nordeste esteve em Crateús, a convite da Brasil Ecodiesel. O gerente da unidade, Horácio Roberto Leme, diz que a própria empresa solicitou a uma consultoria técnica uma análise sobre os agentes poluidores do rio, que constatou que a contaminação é gerada pela falta de saneamento urbano no Município, dada a quantidade de coliformes fecais apontada no laudo.

O estudo sobre a origem do esgoto que polui o Rio Poti demonstra ainda que os resíduos estão migrando de uma parte externa à área da empresa. Horácio ressalta o interesse da Brasil Ecodiesel em contribuir para a despoluição do Poti. Já que a situação atual resultou em uma decisão judicial suspendendo, temporariamente, as atividades de esmagamento de oleaginosas (no caso, a mamona). Com isso, a indústria passou a importar óleos já refinados de soja de outros estados, encarecendo a produção e interrompendo a cadeia, que também oferecia emprego e renda para a população local.

Limpeza
Trinta e três homens estão trabalhando na retirada dos materiais sobrenadantes do Rio Poti. Além disso, eles fazem uma coleta de todo o material retido, inclusive das espumas, seguindo recomendação da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), que esteve em Crateús para prosseguir com os exames de poluição do manancial.

As atividades começaram no último dia três e devem prosseguir até o dia 22. Os serviços de limpeza e coleta se estendem por 700 metros do manancial, compreendendo desde o entorno da estação de tratamento da Companhia de Águas Esgotos do Ceará (Cagece) até o distrito de Tabajaras.

Prefeito não isenta Brasil Ecodiesel de responsabilidade
"Nossa posição é de que o Estado tome providências imediatas para a despoluição do Rio Poti. Sem que, com isso, sejam paralisadas as atividades da empresa Brasil Ecodiesel". O pedido é do prefeito de Crateús, José Almir Sales, que reconhece como principal causa da poluição a falta de saneamento básico no Município.

Segundo o prefeito, somente 26% da população é servida de saneamento básico. Boa parte recorre a fossas, que, por conta da saturação ao longo do tempo, acabam infiltrando-se no subsolo e atingindo o rio.

No entanto, José Almir não exime a Brasil Ecodiesel de toda a responsabilidade. A suspensão da atividade de esmagamento da mamona foi pertinente, acrescenta ele, uma vez que contribuía com o chorume, a ponto de somar com os efluentes que poluem o rio.

A empresa, por sua vez, afirma que o processo industrial "é pensado de forma estratégica, visando a sustentabilidade com base em valores ambientais e de responsabilidade".

Fonte: Marcus Peixoto - Diário do Nordes


Palavras-chave: brasil ecodiesel


Comentários (1)

07/09/2009 - 13h11min

rio poty

eu acho isso muito errado não devemos poluir o nosso rio sim devemos preserva-ló

bruno, crateús-CE

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