Nacional Quinta, 04 de Dezembro de 2008

Comer sardinha e arrotar caviar

21/08/2007 - 11h04min

Tolos são, genética e culturalmente, incapazes de um ar de modernidade para compreender conceitos éticos complexos

No Piauí não tem disso, não! Se depender dos cabras da peste e das mulheres arretadas de lá, com a solidariedade nacional contra a xenofobia praticada pelo guru do "Cansei", o presidente da Philips para a América Latina, Paulo Zottolo, salário anual de R$ 2 milhões, cumprirá a sina de tolo, inscrita nas quatro últimas letras de seu sobrenome.

É um predestinado à pavonice de bobo da corte, com seu padrão novo-rico: "Eu quero ser visto como brasileiro que chegou lá. Não preciso me sentir culpado porque eu sou rico. Não roubei ninguém."

 Rico, rico mesmo, cultiva a aura do que se chama o discreto charme da burguesia, não se expõe ao ridículo de reafirmação de riqueza.
A mania dos novos-ricos de "comer sardinha e arrotar caviar", o levou, não é de hoje, a eleger o Piauí como bengala intelectual. Está na matéria "Um brasileiro em NY" (New York). Alçado da presidência da Nivea do Brasil para a de NY, declarou: "A Nivea aqui era como Teresina, capital do Piauí: todo mundo sabe que existe, mas poucos conhecem" e, alfinetando, falou que nos EUA "a Nivea tem cara de marido chato. E cosmético, para ter sucesso, precisa ser o amante". (IstoÉ Dinheiro. 19/10/05). Que explique aos maridos a tolice de que eles personificam a chatice.

Contra-argumento que nós, as mulheres custo-zero e donas de nossas vidas, não o alçamos nosso porta-voz. Ademais, um XY jamais será mulher, logo nunquinha saberá que há um período em que maridos são pura purpurina. Tolos são, genética e culturalmente, incapazes de um "ar" de modernidade para compreender conceitos éticos complexos, aportadores de um "plus" de prazer, como o amor de percentagem e a monogamia sucessiva ? engendrada intelectualmente pelas mulheres: marido chato a gente troca por outro. Conceito, para mim, só rivalizado pela Teoria da Evolução ? a maior descoberta intelectual de todos os tempos.

Ah, cansei! "Livra-me Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá-me asas para voar diretamente ao ponto que interessa." (Oração para ser uma Velhinha Legal). Enfim, desvendemos a prática da Teoria do Desmanche, de lastro e lavra paulista, na ânsia frenética de transmutar hegemonia econômica em hegemonia política. Paulo Zottolo, dia 16, falou ao Valor Econômico que apóia o Cansei para remexer no "marasmo cívico", pois "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".
 
Instado pelo governador do Piauí, Wellington Dias, a se retratar, tentou sair pela tangente: "Quis dizer o seguinte: o Piauí é desconhecido e não quero que o Brasil seja um Piauí". Não foi o bastante para o quinto maior cliente da Philips, o Grupo Claudino, através do Armazém Paraíba ? que nos meus tempos de Maranhão, veiculava o slogan: "Faz sucesso em qualquer lugar" ? retirasse os produtos Philips de suas lojas ? espalhadas pelo Piauí, Maranhão, Ceará e Pernambuco.
 
Para João Marcelo Claudino, do Conselho Diretor do Grupo, filho do presidente, João Claudino, retirar os produtos Philips do ?Paraíba?, é, literalmente e na bucha, "uma resposta ao que Paulo Zottolo disse ao Valor Econômico", pois essa forma de "deboche" não é mais aceita ou vista como brincadeira e que o Armazém Paraíba tinha de tomar essa decisão porque o Piauí foi o primeiro Estado a acolher seu pai e seus empreendimentos. Arriégua! E, Ave! Eis um exemplar raro de cabramachice politicamente correta. Coisa de quem tem vergonha na cara.

"Seu João", como o chamavam tia Ester e tio Maneco Rocha, gerente, durante décadas, do Paraíba de Bacabal-MA, um afetuoso abraço e um recado: quero um "Cartão Fidelidade ao Paraíba"!

Consolidando o boicote dos Claudino, a OAB-PI entrará no Ministério Público Estadual contra Zotollo, por discriminação, e a CUT denunciou a Philips no escritório da OCDE, por achar que ela "se coloca como patrocinadora de uma campanha que tenta fazer uso político do trágico acidente da TAM", atentando assim contra a soberania nacional.

A médica Fátima Oliveira escreve neste espaço, às terças-feiras.



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