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Publicado em 30/11/2007 às 23h01

'Não sou eu', diz jovem de Picos sobre vídeo de sexo

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'Não sou eu', diz jovem de Picos sobre vídeo de sexo
Foto:Wallysson Bernardes

Reportagem de Wallysson Bernardes para o www.riachaonet.com.br revela que a jovem Maevy Alves Silva (20 anos) natural da cidade de Jaicós, e apontada como sendo protagonista de um vídeo que circula na cidade de Picos, onde aparecem dois casais em cenas de sexo explicito, nega tudo.

A tecnologia empregada na Internet não criou novos tipos de crime. Ela apenas os "turbinou", da mesma forma que fez com nossa vida - agilizando processos, poupando tempo durante as pesquisas e mantendo-nos em contato com amigos e colegas de trabalho. Mas, como acontece com qualquer ferramenta, há sempre quem queira usá-la de maneira distorcida e até mal-intencionada. A tecnologia de certa forma ajuda a levantar a imagem de anônimos, mas também pode destruí-la.

A mais recente vítima foi à estudante de enfermagem Maevy Alves Silva (20 anos) natural da cidade de Jaicós. A jovem foi apontada como sendo protagonista de um vídeo que circula na cidade de Picos, onde aparecem dois casais em cenas de sexo explicito.

Em entrevista exclusiva, a estudante disse que o material veiculado em alguns sites e compartilhado em celulares foi realizado por uma sósia. Ela afirmou que não conhece os jovens e que nunca teve qualquer envolvimento amoroso com eles.

A família pediu a abertura de inquérito para identificar os responsáveis pela divulgação das imagens e processá-los por injúria e difamação. Detetives particulares foram contratados.

A polícia já tem um suspeito de ter divulgado os vídeos na rede mundial de computadores. O delegado Regional da Policia Civil Jorge Ferreira não quis revelar o nome do suspeito apontado em depoimentos em razão de, em seu entendimento, a divulgação do nome poder atrapalhar a investigação.

Pelo menos seis pessoas já prestaram depoimento à polícia. Para os próximos dias estão previstos os depoimentos de rapazes que teriam espalhado a informação de que a jovem no vídeo se tratava da estudante Maevy. No site de relacionamentos Orkut, onde a estudante mantém uma página pessoal, ela pede justiça.

O VIDEO
A reportagem viu as cenas veiculadas na rede e posteriormente compartilhadas de celular para celular. Numa das cenas, aparecem uma jovem nua, em um carro, em um local deserto.

Em outra imagem, também sem roupa, aparece a mesma jovem com as mesmas características da estudante, com mais um casal. Um deles registrava com uma câmera as imagens. A polícia instaurou um inquérito para apurar quem foi o autor da divulgação do vídeo.

Há informações que o vídeo foi feito por um grupo de jovens na cidade de Trindade no Pernambuco. Evidência que descarta todas as possibilidades de que o vídeo tem a participação da estudante picoense.

"Não sou eu"
Visivelmente abalada, a estudante assegura que tudo não passa de um mal entendido. Revoltada com tudo que está sendo dito a seu respeito ela pede apenas que respeitem e não a julguem. Maevy afirma que nunca teria coragem de fazer algo que viesse a constranger seus amigos ou familiares e que a sociedade está sendo injusta.

Revelou que não têm inimigos e não sabe o porquê de tanta maldade. Firme em suas declarações assegura que a pessoa do vídeo não é ela. Acrescentando que irá provar. Fora do trabalho há alguns dias, disse que sua vida foi irresponsavelmente colocada em xeque. Lembrou que os danos causados foram inúmeros.

"Minha vida acabou, eu não posso mais sair na rua normal que as pessoas olham para mim e me julgam por uma coisa que não fiz. Irei trancar meu curso, pois não estou nem conseguindo me concentrar nos estudos", disse, acrescentando ainda que o dano maior causado em sua vida foi o constrangimento pela qual a família em especial seus avôs, estão passando após todo este episódio.

Apesar da humilhação causada e do pré-julgamento da sociedade, disse que sua família continua lhe apoiando. A estudante afirmou que seu noivo tem lhe dado todo o apoio necessário, pois todos acreditam que ela não é uma das meninas que aparecem no vídeo.

"Meu noivo sabe que não sou eu no vídeo. Ele sabe que eu não tenho capacidade para isso e sabe que sou uma pessoa reservada, pois, já estamos juntos dois anos e quatro meses", declarou.

Maevy continua sua defesa e em certo momento desabafa: "Quem me conhece sabe que não é verdade, principalmente eu sendo noiva eu não iria fazer uma coisa dessas. Eu tenho fé em Deus que eles vão ser achados e vão ter o que merecem. Eu não esperava que a sociedade de Picos fosse desse jeito. Quem me conhece sabe meu caráter e quero que todos me entendam".

Polícia
Na segunda-feira (26/11) a polícia ouviu algumas pessoas acusadas de serem as propagadoras do vídeo. O delegado regional da Polícia Civil Jorge Ferreira ouviu uma a uma suas versões e arquivou os depoimentos junto ao processo.

De acordo com o delegado o ilícito neste episódio foi porque além de divulgar as imagens os acusados apontaram a estudante Maevy como sendo a personagem do vídeo que em tese caracteriza injuria e difamação. "A vítima já esteve aqui, já prestou queixa, já assinou a representação para que a gente possa instaurar todo o procedimento. Agora as pessoas que estão propagando vão se explicar", disse o delegado.

Quanto à informação de que o vídeo possa ter sido feito no estado do Pernambuco e não em Picos, o delegado declarou que a noticia procede. Mesmo sem realizar uma pericia o delegado Jorge Ferreira declarou que as duas pessoas (a estudante Maevy e a garota do vídeo) são pessoas totalmente diferentes.

"As pessoas já ouvidas disseram que não sabem quem foi o autor da gravação. Mas já temos a informação que a menina é da cidade de Trindade no Pernambuco, mas isso não isenta da culpa estas pessoas. Nós analisamos o vídeo e posso te afirmar que a mulher que aparece no vídeo e a vítima são pessoas totalmente diferentes, então acredito que tem gente usando de maldade para prejudicar a vítima de alguma forma. Eu posso afirmar, posso até está enganado mais são pessoas totalmente diferentes, principalmente se você analisar as características físicas de cada uma" declarou.

Jorge Ferreira alertou ainda a comunidade para que não compartilhe o vídeo.

Juiz comenta crimes virtuais
Usar a Internet pode ser navega por águas perigosas. Mesmo abrigando em grande parte usuários bem jovens "atraídos pela idéia de um reality-show produzido por eles mesmos" poucos dos novos sites de vídeo se preocupam em evitar a prática de pedofilia, abuso infantil e até mesmo vídeos caseiros distribuídos de forma irresponsável. Outra discussão que precisou vir à tona foi à responsabilidade dos que compartilham vídeos, portanto o direito a privacidade tem consistido em objeto de estudo de inúmeros juristas ao longo dos anos. No entanto, revela-se, em certa medida, ingrata a difícil tarefa a que alguns se propunham de delimitar sua abrangência na vida social.

Para Marcos Antonio Moura Mendes, juiz titular da 2ª Vara da Comarca de Picos, a própria vítima de casos de abusos que já circularam pela Internet são responsáveis em grande parte pelo acometimento do delito. Com exemplo o magistrado citou o vídeo da modelo e apresentadora Daniella Cicarelli que perdeu na Justiça paulista o processo que movia contra o site YouTube, que transmitiu um vídeo no qual a apresentadora protagoniza cenas tórridas com o namorado Tato Malzoni em uma praia na Espanha.

"Lógico que ela tem um direito da intimidade dela, mas ela foi para um local público e sendo uma pessoa pública deveria saber que estava à mercê dos famosos paparazzi, apesar de ser errado. O paparazzi poderia ter filmado mais não divulgado e isso foi o que violou a honra da intimidade dela, ninguém pode sair divulgando vídeo das pessoas, apesar de que muitas vezes o comportamento da vítima dar ensejo aos crimes", disse o juiz.

O magistrado ressalta que muitas vezes as atitudes das vítimas contribuem para violação da sua própria honra. "O caso da Daniella Cicarelli é um exemplo crucial e serviu até de piada na decisão do juiz quando determinou a retirada do vídeo do site da internet", lembrou.

A recomendação, de acordo com o magistrado é que todos respeitem o direito um do outro. "O direito de um começa quando termina o de outro. E a honra das pessoas é um valor muito precioso e deve ser respeitado, cada um deve respeitar a integridade moral de um cidadão, não apenas a física, mas a moral, haja vista que a agressão moral não cicatriza nunca", finalizou.

Mais notícias de Picos e região: www.riachaonet.com.br

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