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Publicado em 02/04/2009 às 11h45

Versões para a morte trágica do universitário Ravi Brito de Souza

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Versões para a morte trágica do universitário Ravi Brito de Souza

O Imparcial

Especulações divergentes sobre a morte de Ravi Brito de Souza, 19, no último sábado rondam a opinião popular, mesmo alguns dias após a tragédia. O carro – um pólo hatch - do rapaz foi arremessado do alto da Avenida Avicênia, passando por sobre a Avenida Litorânea, caindo na areia da praia. Dentre as principais versões a respeito do caso, a de que ele teria perdido o controle do carro por inexperiência ao volante e a de que ele poderia ter tentado suicídio são as mais fortes.

Segundo um mototaxista que preferiu não se identificar, amigos do rapaz, ao chegarem ao local no sábado após o acidente, teriam – chorando – dito que ele teria em mente cometer o suicídio em função de ter sido traído por uma possível namorada.

“Eu conversei com os amigos dele. Eles disseram que a namorada dele ‘meteu um chifrinho’ nele. Aí, ele resolveu fazer isso”, comenta o homem conhecido apenas como Nelson.

A ausência de marcas de pneu no chão reforça tal tese. Por essa possibilidade, Ravi teria acelerado o carro até chocar-se contra o meio-fio da calçada de frente para o Pestana Hotel, onde não havia carro algum naquele momento. Segundo Flávio Pires, funcionário do hotel, o carro encontrava-se apenas em aceleração.

“Eu vi passando direto. Chamou a atenção porque passou muito rápido. Até os porteiros vieram olhar. Ele não tentou frear. Foi uma coisa de cinema”, contou impressionado.

Miguel Ferreira da Silva trabalha há três anos vendendo cd’s na Avenida Litorânea. Trabalhando próximo à orla, ele viu o exato momento da primeira batida na mureta de cima, a subida do carro e o vôo, até a queda. “Eu ouvi um tiro (barulho). Ele subiu uns três metros. O carro pegou um pouco de fogo, mas no ar mesmo apagou”, descreve o ambulante. Segundo ele, o susto e o livramento foram sensações inesquecíveis.

“Eu perdi até a chave do cadeado, que estava na minha mão. Nessa hora, a gente tenta correr, mas nem sabe para onde vai”, finaliza. Destroços do carro caíram sobre alguns carros que estavam no estacionamento em frente à banca, causando danificações.

O veículo percorreu um espaço de mais de 100 metros, ate tocar o chão, cair de bico e virar na areia algumas vezes. Faíscas ainda saíam do Pólo quando ele aterrissou, mas logo foram apagadas. Depois de vinte minutos, o Corpo de Bombeiros e o Samu chegaram à praia a fim de socorrer o rapaz, que já estava sem vida. No entanto, segundo curiosos que estavam no local, Ravi ainda estava vivo quando o carro parou, totalmente estraçalhado.

Controvérsia

O estudante de Publicidade cursava 2º período na Faculdade São Luís, além de ser mesatenista. Amigos de Ravi opõem-se à teoria da tentativa de suicídio. Segundo eles, o garoto era calmo e tranqüilo e vivia alegre, além de não ter razões visíveis para um comportamento emocionalmente alterado.

“Ele estava feliz, no curso dele, a gente saía junto, tinha amigos em comum”, lembra Gabriela Castelo Branco.

De acordo com os amigos dele, o rapaz era carinhoso, prestativo, atencioso e doce o tempo todo. “Eu não vou te dizer que ele não bebia, mas, se comparado aos outros, nem seria beber aquilo”, diz, sobre Ravi.

Entretanto, a possibilidade de ele ter se suicidado não é cogitada pelos mais próximos. “Ficamos chateados, porque a gente convive com as pessoas e a gente sabe o que é capaz de fazer”, explica a moça.

“As pessoas tiram conclusões precipitadas. Vamos esperar os resultados da perícia”, continuou ela. A respeito da versão que dá conta de uma suposta traição, ela é taxativa. “Acho que foi uma fatalidade. Ele não tinha namorada, não. Só uns rolos por aí”, complementa.

A carteira de motorista do mesatenista ainda era provisória. Amigos apontam ainda a possibilidade de ele não estar completamente familiarizado com o trânsito ou com o funcionamento do carro. Além disso, o rapaz gostava de velocidade. “Ele tinha tirado a carteira há pouco tempo. Não sabia direito, mas gostava de correr”, disse Gabriela, que o conhecia há um ano.

Comoção geral

A mãe de Ravi, ao saber da notícia, passou mal e foi levada para o Hospital São Domingos, onde esteve durante toda a noite de sábado.

“Quando fui visitá-la, ela estava meio anestesiada, mais calma. Os irmãos ainda estavam chorando, no domingo, antes de irem para o enterro”, disse Socorro Ferreira, vizinha da família. A movimentação na casa durante todo o domingo foi intensa. Familiares e amigos foram prestar solidariedade à família. No velório e enterro, a comoção também foi grande. “Eu nunca os vi bebendo, fazendo nada de errado. São meninos direitos”, depôs a senhora.

Procurada pela equipe de O IMPARCIAL, a família de Ravi preferiu não se pronunciar. Apenas o pai do garoto, que mora em Fortaleza e veio para o enterro, comentou que estava insatisfeito com as informações veiculadas na mídia.

“Eu acho que já se falou tudo. Eu fico chateado é com essa história de cerveja, porque não tem nada a ver. Aquilo era de outra ocasião. Ravi morou comigo um tempo e nem bebia. Pelo contrário: ele questionava a gente. Agora, a gente só tem que ter força”, desabafou o pai.

A grade de cerveja encontrada no carro, segundo explicações dos amigos de Ravi, em comentários no site de O IMPARCIAL, era da turma, que havia feito uma festa na semana passada e pediu que ele guardasse as garrafas vazias para, posteriormente, levar para devolver ao dono.

Repercussão
A maneira incomum e espetacular da morte de Ravi levou várias pessoas às imediações da Avenida Litorânea: elas precisavam ver para crer. E ainda tentar remontar o que pudesse ter acontecido naquele final de noite de sábado. Apenas nos trinta minutos em que a reportagem esteve no local, conhecidos, curiosos e pessoas para contar diferentes versões revezavam-se na análise milimétrica das peças quebradas e do cenário do acidente.

As discussões sobre a tragédia foram fortemente repercutidas também na internet. A irmã dele, Lívia Brito, mostrava indignação com os comentários que sugeriam suicídio ou irresponsabilidade ao volante. Em contraposição, vários internautas orientavam os jovens a não consumirem álcool quando fossem dirigir, como se essa fosse a causa da morte do rapaz.

Quase setenta comentários foram postados apenas na notícia referente à morte de Ravi. No site de relacionamento Orkut, mais de 300 recados foram registrados em apoio à família, em surpresa com a morte e em homenagem ao rapaz.

Os peritos do Instituto de Criminalística (Icrim) queacompanharam o caso estavam de folga ontem e por isso não prestaram esclarecimentos sobre o acidente.

Fonte: Carolina Nanhuz - O Imparcial

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