Cabeça de cuia - A opção inteligente

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Publicado em 09/01/2008 às 08h26

Família inteira é trucidade em chacina em Zé Doca - MA

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Família inteira é trucidade em chacina em  Zé Doca - MA

Uma tragédia abalou o município de Zé Doca. A descoberta de uma família chacinada no assentamento Camarú II deixou todos atônitos e a polícia com a responsabilidade de uma elucidação rápida do crime. Oito pessoas, entre elas quatro crianças com idades entre 11 e 2 anos, foram barbaramente executadas com golpes de faca, a maioria nas costas, pauladas e tiros de espingarda de fabricação artesanal. A motivação do crime foi descoberta mais tarde, com a prisão de quatro acusados, dois deles menores de 16 anos.

Tratou-se de um latrocínio. A vida de oito pessoas custou cerca de R$ 2 mil. O primeiro corpo a ser encontrado, no fim da tarde de segunda-feira, foi o de Jonas Lira de Oliveira, de 44 anos, em uma área de mato um pouco longe de sua casa. A polícia foi informada do achado macabro e, quando moradores da área foram à casa da vítima, se surpreenderam com o que viram.

Foram encontradas mortas a companheira de Jonas, Eudivan Araújo Silva, de 34 anos; a mãe dela, Francisca Maria de Araújo Silva, de 60 anos, e a irmã de Eudivan, Dulcirene Araújo Silva, de 30 anos. Os quatro filhos de Eudivan - Brenda Silva, de 11 anos; Sâmara Silva, de 8 anos; Jonas Filho, de 6 anos, e Matheus Silva, de 2 anos - também foram assassinados. Uma das crianças foi encontrada em uma rede, enquanto os demais corpos estavam distribuídas sobre camas, sozinhas ou com adultos. Todos foram colocados de bruços e receberam as facadas e pauladas.

Iam viajar
A família de Jonas de Oliveira viajaria para o estado de Roraima nos próximos dias. Ontem, Francisca Maria pretendia comprar as passagens para o genro, filha e netos, mas não teve tempo. Foi morta antes. Depois de permanecer em Zé Doca, onde moram seus pais e alguns irmãos, por quatro anos, Jonas pretendia começar vida nova em Roraima, onde residem familiares de Eudivan.

Para tanto, ele, que vivia da lavoura, estava vendendo os poucos animais - cinco cabeças de gado e algumas galinhas, que tinha em sua pequena propriedade, no assentamento Camarú II, para juntar dinheiro e poder comprar uma casa no novo estado.

Depois do achado macabro, a polícia desconfiou imediatamente da possibilidade de um latrocínio, pois a idéia de que Jonas estivesse de posse de alta soma em dinheiro poderia ter gerado ambição em muitas pessoas.

A linha de investigação da polícia chegou rapidamente aos acusados, que alguns dias antes estiveram plantando sementes naquela localidade. Dois menores suspeitos, de 16 anos, foram apreendidos e dois adultos conduzidos à delegacia de Zé Doca para averiguações. Os adultos, Luís Teixeira Lima, o Bida, e Arnaldo Costa, o Xibiu, até a noite de ontem, negavam o crime, embora a polícia tenha encontrado parte do dinheiro roubado, que já havia sido dividido entre eles. Os menores, em cujas casas também foi encontrado dinheiro da vítima, diante da promotora da cidade, prestaram declarações e confessaram envolvimento no crime.

Amizade fatal
Em suas declarações, ricas em detalhes, os adolescentes confirmaram que estavam com Bida e Xibiu, mas atribuíram aos dois a execução de todas as vítimas. O mentor do crime, conforme foi apurado pelo delegado Luís Cláudio Balby, da regional de Zé Doca, foi Luís Teixeira Lima, o Bida, que era amigo de Jonas. Foi a amizade entre os dois que causou a morte de Jonas e sua família.

Domingo, segundo as declarações dos adolescentes, Jonas se encontrou com Bida. Como eram amigos, lhe contou que havia recebido cerca de R$ 2.000,00, possivelmente da venda de animais ou produtos de sua terra. Bida, então, disse que teriam de comemorar e, para tanto, iriam caçar tatus naquela noite, e foi embora. Mais tarde, ele procurou seus comparsas, já pensando em uma forma de ficar com o dinheiro do amigo.

Era por volta de 20h quando Bida voltou, com os dois adolescentes e Xibiu, à casa de Jonas, que estava tranqüilo, sentado na porta. Conforme os adolescentes, Bida teria perguntado: "Tu é um homem ou um rato?" e quis saber se Jonas não iria caçar com eles. Este não teve outra saída senão acompanhar os quatro homens na caçada.

No caminho, ainda dentro de sua propriedade, Jonas foi morto por Bida. O acusado teria pedido a enxada que a vítima levava consigo e inocentemente passou à frente do amigo, quando então foi vitimado com um golpe na cabeça. O homem caiu e o acusado teria sacado de uma faca e lhe golpeado na garganta, abandonando o corpo no local.

Em seguida, ele e seus comparsas foram até a casa da vítima. Lá, a primeira a ser morta teria sido a sogra de Jonas, com facadas nas costas, causando desespero entre as pessoas que estavam no local. Depois, Bida teria agarrado Brenda, de 11 anos, e perguntado quem daria a vida por ela. A mãe, Eudivan, desesperada, entregou sua vida pela da filha, acreditando que poderia salvá-la. Ela foi morta diante dos filhos.

O homem teria, então, deixado o quarto para procurar dinheiro pela casa, enquanto Xibiu completou a matança, executando as crianças com golpes de faca nas costas e pauladas. Os adolescentes alegaram não ter se envolvido nas mortes, mas a polícia ainda investiga o fato. A tragédia chocou os moradores de Zé Doca, considerada, até então, uma cidade tranqüila, com seus 58 mil habitantes. As vítimas foram colocadas de bruços nas camas e mortas a traição, com golpes nas costas.

População revoltada
Logo que tomaram conhecimento de que o crime estava elucidado, a população de Zé Doca se amontoou diante da Delegacia Regional. Revoltados, os moradores pediam que os acusados fossem colocados para fora, para que fosse feito um churrasco com eles. Os presos recolhidos na carceragem da regional também pediram que os acusados fossem levados até eles. O "código de ética" da cadeia prevê morte para aqueles que cometem crimes contra crianças e mulheres.

Para evitar uma invasão na delegacia, Luís Cláudio Balby determinou que os dois adultos permanecessem no quartel da Polícia Militar, enquanto eram colhidas as declarações dos dois adolescentes. O flagrante deveria ser feito em Santa Inês, por medida de segurança.

Fonte: Ana Coaracy / O Estado do Maranhão

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